Para dar partida às postagens no blog, gostaria de compartilhar uma análise que elaborei do documentário Nós que aqui estamos por vós esperamos, solicitada na disciplina de Museologia no Mundo Contemporâneo, do curso de Museologia da FABICO/UFRGS. Trata-se de um documentário tocante, que nos faz refletir sobre história, ciência, religião, relações sociais e suas implicações no passado, no presente e no futuro da humanidade!
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Ao pensarmos no cemitério, diretamente o relacionamos com a ideia de morte, mas esquecemos que cada lápide guarda o corpo de uma pessoa, sendo que essa teve uma história. O filme retrata memórias de pessoas mortas, sempre remetendo às suas experiências enquanto vivas, em que nos deparamos com vários momentos históricos do século XX que influenciaram na vida de cada um de nós. Podemos destacar a revolução técnico-científica, uma das responsáveis por impulsionar a agitação do mundo moderno, modificando as relações que estabelecemos uns com os outros e com a natureza.
Percebemos, ao apreciar o filme, que ao longo de nossa existência sempre buscamos o poder, o que acaba sendo o motivo de nossas mazelas. Queremos ter o poder uns sobre os outros, o que acarreta em guerras; em vez de entendermos que fazemos parte da natureza, tentamos dominá-la e explorá-la, o que resulta na extinção de espécies e no fim de recursos naturais. No mundo contemporâneo, devido à busca pelo sucesso profissional e pelo dinheiro, nos tornamos cada vez mais individualistas, fortalecendo essa vontade de ter o poder sobre tudo.
Outro aspecto destacável apontado pelo filme é a religiosidade, pois além de se passar em um cemitério, local que por natureza remete ao assunto, há várias referências ao papel da religião na história. Em diversas circunstâncias pensamos a respeito da presença e da ausência de Deus, sendo que a fé é utilizada por muitos de nós como fonte de esperança, pois muitas vezes a utilizamos como um refúgio, visando fugir do mundo que nós mesmos ajudamos a criar e manter. Atrelado à fé, o filme também nos convida a refletir sobre os rumos da ciência. Percebemos que a relação entre homem e ciência é abalada, no momento em que, inicialmente pensada com o propósito de melhorar as condições da vida humana, a ciência é utilizada para a destruição do homem e da natureza, como ocorrido no caso das bombas atômicas na Segunda Guerra Mundial.
Creio que uma análise - não apenas racional, mas também afetiva - dos acontecimentos e das memórias narradas no filme torna-se um convite para repensar nossa própria existência. Afinal, qual o propósito de nossas vidas? Respeitamos a natureza em nosso dia a dia? Fazemos o que nos faz feliz? Qual nosso conceito de sucesso? Estamos cometendo os mesmos erros já cometidos por outros no passado? O que deixaremos para as próximas gerações? Infelizmente, essas questões são muito pessoais para serem respondidas nesse momento, mas cabe lembrar que, se alguma das respostas para as questões acima não nos satisfazer, há a possibilidade de mudarmos. Pensar na morte e no passado talvez seja uma oportunidade de mudarmos a vida no presente.
Para quem quiser, segue o filme na íntegra!
REFERÊNCIA
NÓS que aqui estamos por vós esperamos. Diretor: Marcello Masagao. [S.l.]: Riofilme, 1999. online (73 min), son., color. Disponível em: < http://www.youtube.com/watch?v=-PXo5oGztiw >. Acesso em: 01 set. 2013.
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